1/03/2008
Após pouco mais de um ano de ruminação, chegámos à altura de escrever sobre o "então", finda a cruzada dos sete "se".
3/12/2006
2/25/2006
Se 7. anjos ou diabos
Pesquisei há pouco tempo, motivado por reflexos que me chegaram, por Moya. Gostei. Na rica obra disponibilizada, existiu uma particular distinção entre anjo e diabo que me suscitou este reflexo. Convenhamos que tal distinção nada mais é do que uma repetição de algo que começou, mas que nunca chegou a terminar verdadeiramente. Tão simples quanto isto. Um exemplo é quando tendemos algumas vezes a dar por apagados alguns reflexos derivados, mas apenas os escondemos. E se os escondemos, é porque não terminou. Mas não terminou para quem? Para o anjo? Para o diabo? Para o que surgiu na mutação de um no outro?Se foi para o anjo
é porque este já é diabo.
Se foi para o diabo
é porque este gosta de ser diabo.
Se foi para o que surgiu na mutação
é porque ainda tem hipótese de morrer antes da transformação.
Esperemos que assim aconteça.
Parece fácil.
Matamos se mutamos,
respiramos se matamos,
gozamos se escondemos.
Não é.
2/19/2006
Se 6. mudar ou ficar

Será que mudar é viver?
Ou, quem assim o vê, não passa de um ser que, em constante mutação, almeja o reflexo estático? Insatisfação pelo que tem, ansiedade pelo que não tem e curiosidade pelo que possa ser, mas incapacidade de aceitar a impossibilidade de o ter.
Seres em mutação,
em reflexos vistos,
mas não sentidos.
Pedras lançadas
na esperança de o fazer parar,
mas cujos estilhaços só nos trazem
a ânsia de mais pedras atirar.
falas do átomo,
há muito perdido
e não achado,
mas esqueces que o seu retorno,
para as calendas gregas previsto,
será sob a forma de faca,
não pela sua capacidade de rasgar,
mas pela capacidade de reflectir.
2/18/2006
Se 5. ideia ou sombra

Adequando metaforicamente a divisão entre Luz e Sombra, de Platão, de modo a que deixe de ser um paradoxo neste mundo de reflexos feitos, representa na perfeição o ambíguo na nossa tomada de decisões. O mundo das ideias existe quando se tem uma compreensão própria e vincada dos acontecimentos, descurando-se por completo outras possibilidades, as quais se assumem instintivamente como sendo meras cópias distorcidas, onde a nossa compreensão não aceita que possam ter alguma coisa a ver com a essência da ideia. Contudo, nem sempre estamos correctos. Tomamos por ideia uma cópia que pouco reflecte à luz da ideia a sua essência.
Há quem diga que é no sexto sentido, no reflexo de uma bola de Cristal, na sequência dos factos ou na constatação do óbvio, que encontramos a melhor metodologia para aceitarmos a ideia correcta. Não sei qual é. Nem se as opções metodológicas se resumem a estas. Apenas me resumo a jogar este jogo como se o mesmo não existisse. Ou seja, o que parece é!
Parece fácil seguir esta "metodologia". Então se parece... é!
2/14/2006
Se 4. Sentimentos e instintos
Por vezes, em certos e determinados momentos, somos levados a confundir sentimentos com instintos. Se por um lado sentimos verdadeiramente algo, e queremos a todo o custo acreditar que são mais do que instintos, por outro, acabamos por sentir com igual poder de verdade os sentimentos, quando estes são postos à prova e, na maioria das vezes, nas circunstâncias mais dolorosas. Claro está que, quando os procuramos a qualquer custo não são mais que meros instintos em pele de lobo; ao passo que os outros, na dor, são, infelizmente, os momentos em que são postos à prova os nossos mais puros sentimentos. Isto torna-se tão mais evidente quando analisamos os instintos. Esses que surgem nos melhores momentos e sabemos, sem hipocrisias, que são meros instintos... e gostamos que assim sejam. Infelizmente, em momentos de dor futura, quando dada a oportunidade para isso, vemos que se tratam de sentimentos verdadeiros, e não gostamos.Se o atómo original incidir sobre a compreensão e o respeito, tal é sinal que aprendemos a gostar dos sentimentos que acabamos por vir a aceitar e sentir. Mas se incidir sobre sentimentos forçados, o outrora instinto de espiral ascendente acaba por se revelar doloroso , passando a ser um falso sentimento em espiral descendente, com forte risco de sair do plano da racionalidade e de entrar no da loucura. Saberemos nós distinguir entre um e outro? Julgamos sempre que sim. Sempre.
2/10/2006
Se 3. Relações e versões

«Ora diga lá. Venha mais uma versão dos acontecimentos.»
Devemos ouvir, mas nunca devemos responder para o microfone. Pode ser complicado de gerir, e na maioria das vezes é! Para além das diferenças e repetições, e para lá da gestão interna de reflexos, o que comunicamos e damos a entender poderá não transmitir o reflexo desejado e pretendido, podendo de um momento para o outro, ou enquanto o "Diabo esfrega um olho", atingir-nos que nem um Raio, escapando a qualquer acto de gestão possível. Por outro lado, o silêncio perante confidências transmite também ele per si um reflexo, uma falsa cópia da ideia... sim, porque na maioria das vezes, para não dizer sempre, é falsa. Assim, entre palavras mal medidas e um silêncio mal entendido situa-se a comunicação ideal em tudo o que envolve relações e versões. Não é fácil saber o ponto de equilíbrio! Na praxis, parece, mas o futuro mostra sempre que não é!
Se 2. Reflexos

Demasiados reflexos turvam a vista. Um apenas é sintomático de narcose. Qualquer uma destas opções representa um mau uso da capacidade de ver... de analisar... de contemplar... de ruminar os reflexos que nos chegam e com os quais temos de lidar e decidir. Sim, porque a aplicação da teoria sistémica, enquanto organizadora e mapeadora das diferentes naturezas de reflexos, aparece aqui como a ponta do fio que nos guiará para fora do labirinto. No entanto, é apenas mais uma torre de babel. Pois na verdade não nos permite verificar a veracidade, apesar de permitir ver a natureza; não nos permite analisar a essência, apesar de permitir uma análise SWOT. Assim, é entre o caos e a narcose que temos de ficar em suspenso. Parece fácil, mas não é!
2/05/2006
Se 1. Diferenças e Repetições
Se levamos em consideração o ser, ou os entes, temos logo à partida uma grande dificuldade em lidar com os significados que nos chegam. Existe uma ambiguidade sempre presente que não permite observar com clareza o reflexo do espelho. Solução, analisemos o fractal. Poderá ser possível lidar com essas conclusões? Não sei, mas apresenta-se como uma tarefa mais fácil de o fazer. Analisar isoladamente, descontextualizando da situação, é mais fácil de entender; e de aceitar. O mágico não me fez desaparecer, mas o mágico apareceu realmente. Contudo os poderes da sua varinha eram mais surpreendentes que letais. Talvez a análise fractal tenha se revelado como a postura indicada para os reflexos que chegavam, adivinhando-se os menos perceptíveis.
Mas se assim o fizermos, temos de aceitar a inexistência de verdades, guardar os reflexos individuais credíveis e identificados, esquecer os outros. Não é fácil.


